Todo mundo avisou: o filme é ruim, clichê, cafona, não funciona como musical, cineastas amadores fariam um trabalho melhor. Mas eu quis ver com meus próprios olhos. E agora, infelizmente, não consigo “desver”.
Ah, mas existe um ranço prévio porque a produção desbancou o representante brasileiro “Ainda estou aqui” na categoria de “Melhor filme estrangeiro” do Globo de Ouro, você poderia alegar. Nada disso. Se o filme fosse bom, haveria pelo menos esse consolo: poxa, tudo bem, a disputa foi difícil, o concorrente era ótimo. O que não é, absolutamente, o caso.
Para ser justa, “Emília Pérez” tem o projeto de um filme que poderia ser razoável, ou mesmo muito bom, caso a ideia fosse bem desenvolvida. A história é sobre o líder de um cartel de drogas que deseja mudar de sexo e, para isso, simula a própria morte, deixando esposa e filhos. Para isso, ele contrata uma advogada frustrada com sua profissão por causa da impunidade dos poderosos. O traficante lhe oferece muito dinheiro se ela conseguir providenciar de maneira rápida e segura todo o procedimento da transição e do “desaparecimento”. Tempos depois, ele retorna, já com a nova identidade de Emília Pérez, e quer reencontrar a família, fazendo se passar por uma tia. Para isso, conta novamente com a ajuda da advogada. Juntas, as mulheres fundam uma instituição responsável pela busca de pessoas desaparecidas, uma espécie de regeneração para o passado criminoso de Emília. Tudo parece ir bem até que sua ex-esposa de resolve se mudar com o novo companheiro e levar os filhos.
Parece promissor, não é mesmo? O problema é que as cenas musicais são ridículas e fora de contexto e não há profundidade em nenhum tema. Um “filme” em que uma das primeiras cenas musicais é sobre “v*gin*plastia”, “v*gina para p*nis”, “ p*nis para v*gina” e que tem falas como “Minha x*x*ta dói ao pensar em você” não pode mesmo ser levado a sério. É um festival de vergonha alheia e bizarrice. Nem mesmo a ótima atuação de Zoe Saldaña consegue salvar esse circo.
Portanto, apesar
do surto coletivo que o fez receber 13 indicações ao Oscar e ganhar tantos
outros prêmios, como o Globo de Ouro, para qualquer pessoa sensata e que
aprecie minimamente a sétima arte, “Emília Pérez” é digno apenas de troféus Framboesa.
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