sábado, 6 de maio de 2017

A era da tecnologia nos deixa dependentes das ferramentas. Cabe nos perguntarmos o que somos nós sem celular, computador, tablet, mesmo sem papel, caneta, qualquer suporte? O que sabemos sem consultar no Google? Que amigos guardamos na memória em vez de na agenda? O que retemos do que lemos, escrevemos, vivemos, sem fotos, sem notas, sem nada além da vontade de estar ali? O que somos nós sem o excesso de material disponível, sem a ilusão de segurança das informações prontas e rápidas, sem acesso a nada além da própria capacidade de raciocínio? O que somos nós sem armas, seres compostos de lembranças e esquecimentos, autênticos, imperfeitos, limitados? O que somos nós por nós mesmos, sujeitos sem objeto lidando com outros sujeitos? O que realizamos independentemente? Porque talvez esteja aí nossa verdadeira essência, sem carapaça. É quando lidamos com esse estado de fragilidade que entramos em contato com o melhor em nós. É quando nos libertamos dos recursos disponíveis e nos colocamos à disposição que descobrimos nossa humanidade latente. É quando nos expomos, sem medo, sem culpa e sem pudor. O que somos não sabemos, mas somos apenas, existimos. E o resto é acessório.

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