quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Resenha - O menino do dedo verde (livro)

Maurice Druon foi um escritor francês, acadêmico e autor de romances históricos, que publicou, em 1957, O menino do dedo verde. Esse livro se tornou um clássico da literatura infantojuvenil, ao lado de obras como O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

Nele, conhecemos a história do menino Tistu, habitante de Mirapólvora, cidade conhecida pela fábrica de canhões do Sr. Papai. A família de Tistu é próspera e vive na Casa-que-brilha, sempre muito limpa e luxuosa. Ele é uma criança feliz, que gosta de escorregar pelo grande corrimão da escada e brincar com o pônei Ginástico.

Porém, quando é enviado à escola, não se adapta. Fica entediado, cochila durante as aulas e acaba sendo expulso, pois “não é como todo mundo”. O Sr. Papai resolve, então, educá-lo de forma prática: ele recebe lições do jardineiro, Sr. Bigode, do ex-militar Sr. Trovões e do Dr. Milmales.

Conforme se depara com a realidade social, passa a fazer questionamentos sobre o funcionamento das instituições: percebe que a cadeia não reabilita ninguém, a favela não prospera, o hospital é um lugar frio e sem esperança e a guerra só leva a perdas.

Ao descobrir que possui o dedo verde, ou seja, uma habilidade excepcional em fazer brotar flores e plantas apenas ao tocar seu polegar em um lugar, começa a enfeitar a cidade, que rapidamente muda o seu nome para Miraflores. Como consequência, os habitantes ficam mais felizes e motivados, e assim tudo melhora.

É uma história muito sensível, simples e profunda, para crianças de todas as idades rs Com ela, aprendemos que “as flores não deixam o mal ir adiante”, porém “a morte é o único mal contra o qual as flores nada podem”. As flores, é claro, são uma metáfora para a gentileza, a empatia, o espírito de coletividade. Podemos nos perguntar, afinal: o que a gente quer fazer brotar dentro de nós e dos outros?

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Reciprocidade

A gente pode se iludir o quanto quiser, mas nossa intuição não costuma falhar, se estivermos atentas. No fundo, a gente sabe quando é amada ou não. É muito claro quando um afeto é correspondido, seja no campo amoroso ou da amizade (com a família, as coisas podem ser mais complicadas, eu sei, porém limites são igualmente importantes).

Quando a via é de mão dupla, a coisa flui, nenhum lado fica sobrecarregado. Eu desabafo, você também, posso ser sincera, você também, faço um movimento, você faz outro. Há desafios e conflitos, mas tudo pode ser resolvido no acordo. Tá bom pros dois lados, é justo, a conta fecha.

Às vezes demora um pouco pra gente entender isso. Fica um tempo carregando o peso morto de uma relação. Desapegar do que já não faz mais sentido pode ser difícil. Porém, na maioria das vezes, é a melhor escolha. Não somos passarinhos pra viver de migalhas. Mas podemos voar pra outros ninhos. Sempre haverá novos horizontes.