segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Dia Mundial de Gato

 

Hoje é o dia mundial do gato, fato que descobri graças à Alexa rs E o curioso é que, no último sábado, fiz uma aula de cat yoga no Gato Café. Trata-se de uma cafeteria temática, em que os biscoitos têm formato de patinha e o cappuccino se chama catpuccino, por exemplo. Além disso, há uma sala onde ficam os gatinhos, disponíveis para adoção. Pagando uma taxa, é possível entrar para interagir com eles durante algum tempo. A aula de cat yoga é realizada dentro dessa sala, com uma professora e poucos participantes. Os gatinhos passam e se esfregam nos participantes, ronronam, é uma fofura!

O chato é que todo mundo me pergunta se não quero adotar um gatinho, já que gosto tanto de bicho. Sem graça, desconverso com um “É, quem sabe mais pra frente?”. Mas a verdade verdadeira é que não, eu não tenho vontade de ter um bichinho em casa. Moro sozinha e adoro a liberdade que isso me proporciona. Chegar em casa, ter silêncio e paz pra ler um livro, ver um filme, fazer o que eu quiser, não tem preço. Ter a casa arrumada, sem pelos e objetos quebrados, poder sair e viajar sem me preocupar, pra mim é o paraíso.

“Mas, Nicole, o amor incondicional de um bichinho...” Eu sei, eu sei. Nem comece. Tenho pessoas amadas o suficiente na minha vida pra não sentir falta de ninguém, nem mesmo de um pet. Amo os animais em liberdade, assim como amo as pessoas, mas sobretudo amo a minha solitude, na vida cotidiana. Encontro meus pais, meus amigos, passo um tempo com eles e volto pra casa, pra me curtir. Por isso lugares como o Gato Café são ideias pra eu ter um contato com os animais sem compromisso. Brinco, faço carinho e vou pra casa sentar no meu sofá sem arranhões. Pode me julgar, se quiser. Mas saiba que eu não te julgo, seja você desapegado como eu, ou pai/mãe de pet feliz.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

O Melhor Amigo da Mulher (conto erótico)

 

Milena arrastava pro lado há mais de meia hora. Com o aplicativo aberto, via, como num desfile de moda, as fotos dos caras. Feio, asqueroso, bonitinho, mas ordinário. Ela também lia as descrições – no geral, muito pobres. Solteiro metido a “comedor”, casado sem vergonha, homem de família carente cheio de filhos.

Ela sabia o que buscava. Sexo casual, nada mais. Nem por isso ficava feliz com fotos de pau enviadas sem o seu consentimento ou conversas rasas. Procurava uma boa companhia. Até que encontrou Júlio. Advogado, solteiro, sem filhos. Boa pinta. Papo gostoso. Pronto, seria esse.

Ficaram alguns dias conversando até que marcaram de se encontrar. Direto no motel, localizado num bairro equidistante aos dois. Com hidro. Milena gostava de hidro. Era bom pra relaxar.

Júlio chegou um pouco mais cedo e ficou esperando já no quarto. Milena se atrasou não mais que quinze minutos. “Foi o trânsito”, se desculpou ao chegar. Os dois começaram a conversar, coisas como “Como foi a semana?”, “E o trabalho?”, “Solteiro(a) há quanto tempo?”, “Já tinha vindo aqui antes?”.

Pediram champanhe. Começaram a se soltar mais, aproximando os corpos, se tocando de leve, rindo. Até que Júlio tomou a iniciativa de beijar a parceira. Foi um beijo afoito, a língua rodando adoidada na boca, as mãos apalpando suas coxas e puxando seu corpo mais pra perto. Milena ficou com falta de ar e precisou se desprender do homem pra tomar fôlego. Ele interpretou aquilo como um bom sinal. “Já está sem ar? E olha que a gente mal começou...”, sorriu. A mulher deu um sorriso amarelo. “Podemos ir com um pouco mais de calma?”. “Claro. Como você quiser”.


Leia o conto na íntegra adquirindo o ebook da coletânea: Sacanagem

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Resenha: Emília Pérez ("filme")

 

Todo mundo avisou: o filme é ruim, clichê, cafona, não funciona como musical, cineastas amadores fariam um trabalho melhor. Mas eu quis ver com meus próprios olhos. E agora, infelizmente, não consigo “desver”.

Ah, mas existe um ranço prévio porque a produção desbancou o representante brasileiro “Ainda estou aqui” na categoria de “Melhor filme estrangeiro” do Globo de Ouro, você poderia alegar. Nada disso. Se o filme fosse bom, haveria pelo menos esse consolo: poxa, tudo bem, a disputa foi difícil, o concorrente era ótimo. O que não é, absolutamente, o caso.

Para ser justa, “Emília Pérez” tem o projeto de um filme que poderia ser razoável, ou mesmo muito bom, caso a ideia fosse bem desenvolvida. A história é sobre o líder de um cartel de drogas que deseja mudar de sexo e, para isso, simula a própria morte, deixando esposa e filhos. Para isso, ele contrata uma advogada frustrada com sua profissão por causa da impunidade dos poderosos. O traficante lhe oferece muito dinheiro se ela conseguir providenciar de maneira rápida e segura todo o procedimento da transição e do “desaparecimento”. Tempos depois, ele retorna, já com a nova identidade de Emília Pérez, e quer reencontrar a família, fazendo se passar por uma tia. Para isso, conta novamente com a ajuda da advogada. Juntas, as mulheres fundam uma instituição responsável pela busca de pessoas desaparecidas, uma espécie de regeneração para o passado criminoso de Emília. Tudo parece ir bem até que sua ex-esposa de resolve se mudar com o novo companheiro e levar os filhos.

Parece promissor, não é mesmo? O problema é que as cenas musicais são ridículas e fora de contexto e não há profundidade em nenhum tema. Um “filme” em que uma das primeiras cenas musicais é sobre “v*gin*plastia”, “v*gina para p*nis”, “    p*nis para v*gina” e que tem falas como “Minha x*x*ta dói ao pensar em você” não pode mesmo ser levado a sério. É um festival de vergonha alheia e bizarrice. Nem mesmo a ótima atuação de Zoe Saldaña consegue salvar esse circo.

Portanto, apesar do surto coletivo que o fez receber 13 indicações ao Oscar e ganhar tantos outros prêmios, como o Globo de Ouro, para qualquer pessoa sensata e que aprecie minimamente a sétima arte, “Emília Pérez” é digno apenas de troféus Framboesa.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Crônica: Não pare

 

Na maior parte do tempo, eu sei exatamente o que estou fazendo. Meu pensamento é lógico e organizado, minha escrita é consciente, meu dia é planejado. Sendo assim, costumo lidar mal com imprevistos e improvisações. A dança me ensina bastante nesse sentido. Você pode estudar e dominar a técnica, mas existe o lado da emoção, da entrega, do descontrole, do risco. Você não pode pensar demais, tem que agir, fazer movimentos no tempo certo da música. Se esqueceu o passo, não pare, improvise, pegue o próximo, está tudo bem. Não pare. Faça pausas nos momentos certos, mas não pare.

 

Costumo travar em situações de perigo, medo, insegurança ou qualquer catástrofe iminente. É assim que entro em crise. Se sou traída, dispensada, maltratada, assaltada, assassinada, como já fui. Paraliso. Entro em pane. Não sei lidar. É muita coisa pra processar e eu preciso ficar bem, ser produtiva, tenho uma agenda a cumprir, não tenho tempo pra sentimentos baratos. Só que escolher não sentir acaba saindo muito caro. Na fantasia que crio, de alguma forma superdimensiono a dor. Tudo parece bem pior do que na realidade. Fico me punindo por um crime que não cometi. Mas hoje eu pago a minha fiança.

 

Porque hoje eu tenho a dança. E, mesmo que tudo esteja desmoronando, sei que posso continuar. Não pare. Não se preocupe se tudo não sair perfeito, do jeito que você imaginou. Vai. Arrisque um novo passo. Ouça a música. Deixe seu corpo responder. Respire. Continue. A vida é um palco. Entramos em cena, muitas vezes, sem preparação. Às vezes a gente cai, erra ou mesmo paralisa. Mas a música continua e, no nosso tempo, no nosso ritmo, do nosso jeito, voltamos a dançar. Bom espetáculo!

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Resenha - Cabocla

 

A novela Cabocla (2004) está sendo reprisada na Edição Especial da Globo e entrou em sua reta final. Sou uma grande fã dessa produção, desde a primeira vez em que ela foi exibida, quando eu tinha apenas 12 anos. Em 2008, quando ela reprisou no Vale a Pena Ver de Novo, fui procurar o livro em que o autor, Benedito Rui Barbosa, se inspirou para desenvolver a história dos protagonistas. E, no fim do ano passado, reli. Estou falando de “Cabocla”, de Ribeiro Couto, de 1931.

A história base é a mesma da novela: o jovem Luís Jerônimo (no livro, apenas Jerônimo), que leva uma vida boêmia no Rio de Janeiro, descobre uma lesão em um dos pulmões, um prenúncio de tuberculose (que, na época, era fatal) e é mandado pelo seu pai para se tratar na pacata Vila da Mata, uma cidadezinha no interior do Espírito Santo. Lá, ele se apaixona pela vida no campo e pela cabocla Zuca, moça simplória e faceira.

Aqui vão algumas curiosidades sobre o livro, em comparação com a novela:

- A prima Emerenciana tem vários filhos pequenos. Na novela, ela só tem uma filha, a Belinha, e começa grávida.

- Alguns personagens, como o Zé da Estação, pai da Zuca, e a própria Zuca, não possuem todos os dentes da boca rs.

- O Tobias, noivo da Zuca, não aparece no livro, é apenas mencionado. Ele trabalha em Vitória.

- A Pequetita troca cartas com o Jerônimo e é bastante preconceituosa. Em várias ocasiões ela diz para ele tomar cuidado com os indígenas.

- Zuca tem um cavalo preferido, o Pigarço, que logo também se torna o preferido de Jerônimo.

Cabocla tem uma história muito simples, bonita e romântica. Sua primeira versão na teledramaturgia foi em 1979 e o remake, mais conhecido atualmente, é de 2004, com os lindos e maravilhosos (sim, sou fã rs) Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira nos papéis principais. Seus personagens cativantes ainda nos encantam e, para os fãs e curiosos, ler o livro é um mergulho mais profundo nessa trama tão singela, emocionante, divertida e gostosa de acompanhar.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Resenha - Ainda estou aqui

 

Em janeiro de 1971, o ex-deputado Rubens Beyrodt Paiva saiu de sua casa na zona sul do Rio de Janeiro escoltado por militares. E nunca mais voltou. Ele deixou a esposa, Eunice Paiva, e cinco filhos, dentre eles Marcelo Rubens Paiva, que se tornou escritor e imortalizou a história do pai e da família através da literatura e do cinema com “Ainda Estou Aqui”, cujo filme é dirigido por Walter Salles e pode representar o Brasil no próximo Oscar.

No filme, acompanhamos momentos de uma família feliz, destruída pelos horrores da ditadura. Eunice Paiva, brilhantemente interpretada por Fernanda Torres, e mais tarde por Fernanda Montenegro, luta incansavelmente para descobrir o que aconteceu com o marido (Selton Mello) e, em seguida, ter sua morte reconhecida e os culpados punidos. Porém, ela só consegue obter a certidão de óbito de Rubens Paiva muitos anos depois. A justiça não é plenamente feita, mas ao menos sua memória é preservada.

Eunice tenta proteger a família evitando tocar no assunto da morte do marido com os filhos, o que gera alguns conflitos com as mais velhas. Em uma cena icônica em que a família vai tirar uma foto para o jornal, ela pede que todos sorriam, contrariando as instruções de que fiquem sérios para parecerem tristes. Mesmo passando por problemas financeiros, o que faz com que precise se mudar para São Paulo, onde tem família que a ajude, Eunice não se deixa abater: ela volta a estudar, se forma em Direito e luta pelas causas indígenas. Trata-se de uma mulher muito forte.

O livro complementa várias informações e curiosidades da história do filme. Conhecemos mais detalhes da infância de Marcelo e seus irmãos, detalhes do processo de prisão e execução do pai, da busca pela verdade e finalmente da cruel doença da mãe, que sofreu de mal de Alzheimer. E que repetia, ao fim da vida: Ainda estou aqui.

Vale a pena conferir as duas obras. E torcer muito por um sonhado (e merecido) Oscar para o Brasil.

“O fotógrafo reclamava: fiquem mais sérios, mais tristes, mais infelizes. Não conseguimos. Ou não queríamos. A irreverência sempre nos inspirou. Observo a foto hoje e vejo nos olhos da minha mãe: quem você pensa que é, para nos fazer infelizes? Nos indignamos. Não é a imprensa que nos pauta, nós a pautamos.” (Marcelo Rubens Paiva – Ainda estou aqui, 2015)

domingo, 22 de dezembro de 2024

Natal 2024

 

Quando eu era pequena, achava o Natal mágico. Adorava distribuir os presentes. Eu e os meus primos. Líamos em alto e bom som: de Fulano para Cicrano e procurávamos Cicrano para entregar o presente em questão. Mesmo deixando de acreditar em Papai Noel muito cedo, aos seis anos, sem nunca ter sequer escrito uma cartinha, isso não tirou meu encanto pelo Natal. Eu gostava das decorações, das reuniões em família, dos presentes, da comida (que só podíamos comer à meia-noite, pela tradição do vovô), de tudo. Era uma das melhores épocas do ano.

Fui crescendo e a magia foi se perdendo. O Natal passou a ser uma data como outra qualquer. Embora eu ainda goste da comida e dos presentes, o resto se tornou um pouco banal. Estar com a família é bom, mas já nos reunimos bastante ao longo do ano. Meus avós estão doentes, o que torna o clima um pouco pesado. E o calor também não ajuda.

Talvez o Natal seja mesmo uma data como outra qualquer. Então, como qualquer outra data, pode ser especial ao seu modo. Novas tradições podem se formar, se as velhas não funcionarem mais. E, o mais importante, nós podemos nos renovar. Alguns ciclos têm se fechado esse ano para mim e começarei 2025 com novos projetos, um novo gás. Mas do Ano Novo vamos falar depois.

Não sei como vai ser esse Natal. Está tudo bem se não tiver a magia da minha infância, porque as circunstâncias são outras. Porém, estarei com as pessoas que amo comendo comida boa. O que poderia ser melhor? A gente também aprende a amar as coisas simples.